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Abrigos RS: um webapp voluntário criado em 48 horas para responder a uma emergência real

Abrigos RS
Interface real da Central de Demandas do Abrigos RS
48h
da mobilização ao produto no ar
Escopo
ux research fluxos de usuário arquitetura da informação UX/UI design design system gov.br prototipação testes com usuários design handoff voluntariado
Segmento
Impacto social
Ano
2024

No início de maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentava uma das maiores tragédias climáticas de sua história. Milhares de pessoas precisavam de abrigo, enquanto voluntários, municípios e equipes de campo tentavam responder perguntas urgentes: onde ainda havia vagas, quantas pessoas estavam acolhidas e quais itens cada local realmente precisava.

Linha do tempo do Abrigos RS, do entendimento das necessidades à aplicação publicada em 48 horas

Desafio

Transformar dados dispersos e operações improvisadas em uma experiência simples o bastante para funcionar sob pressão.

A mesma plataforma precisava atender pessoas desabrigadas procurando acolhimento, doadores querendo direcionar ajuda, voluntários atualizando informações e gestores coordenando abrigos, vagas, pessoas e insumos.

As restrições eram parte central do problema:

  • Prazo de apenas dois dias para colocar a primeira aplicação no ar;
  • Informações mudando rapidamente e sendo atualizadas por diferentes equipes;
  • Uso em desktop e celular, inclusive em contextos de campo;
  • Baixa tolerância a ambiguidades, retrabalho ou fluxos longos;
  • Colaboração remota entre voluntários de produto, tecnologia e operação.

Objetivo

Construir uma interface responsiva que centralizasse a gestão de abrigos e conectasse necessidade, disponibilidade e ação.

Minha responsabilidade como UX/UI Designer voluntário foi organizar os fluxos essenciais, estruturar a arquitetura da informação, desenhar as interfaces com base no design system do gov.br, testar a experiência com usuários e preparar o handoff para desenvolvimento sem interromper o ritmo da entrega.


Solução

Começar pelas decisões que não podiam esperar

Mapeei as jornadas a partir das tarefas críticas: localizar um abrigo, consultar vagas, visualizar pessoas acolhidas, registrar necessidades e atualizar demandas. Essa priorização deu ao time uma estrutura única para evoluir o produto sem perder de vista a emergência.

Reaproveitar padrões para ganhar tempo e confiança

As interfaces adotaram componentes, cores, hierarquias e comportamentos inspirados no design system do gov.br. Usar padrões familiares reduziu decisões visuais, favoreceu a acessibilidade e deixou o handoff mais direto para quem estava desenvolvendo em paralelo.

Validar enquanto o produto era construído

Os protótipos eram testados com usuários e discutidos com o time de voluntários em ciclos curtos. Os aprendizados voltavam imediatamente para os fluxos, rótulos, prioridades e estados da interface. Pesquisa, design e desenvolvimento aconteceram como partes da mesma entrega.

Arquitetura dos fluxos que conecta pessoas desabrigadas, doadores, voluntários e gestores
Cores, tipografia e componentes usados na interface a partir dos padrões do gov.br
Ciclo rápido de prototipação, teste, ajuste e entrega do Abrigos RS
Tela real da Central de Demandas do Abrigos RS com filtros e itens prioritários

Resultado e
impacto

Em apenas dois dias, o time voluntário colocou no ar uma aplicação capaz de transformar informação dispersa em coordenação prática.

O Abrigos RS passou a reunir dados de abrigos, vagas, pessoas acolhidas e necessidades emergenciais. A plataforma ajudava doadores a direcionar itens para quem realmente precisava e dava às equipes de campo uma visão compartilhada da operação.

A solução foi adotada em Rio Grande pela Escola de Enfermagem da FURG, que mobilizou uma força-tarefa de 50 pessoas e implementou a operação local em menos de 24 horas. A rede do projeto também chegou a mais de 500 voluntários mobilizados em menos de 15 dias.

Adoção pela FURG · Uso na gestão de Porto Alegre · Rede de voluntários

48h
para colocar a primeira aplicação no ar
+500
voluntários mobilizados em menos de 15 dias
229
abrigos no recorte documentado do painel
1.182
itens de demanda no painel documentado
<24h
para a implementação local pela FURG

Meu
diferencial

Em uma emergência, design não é sobre adicionar possibilidades. É sobre reconhecer o que precisa funcionar primeiro. Transformei necessidades de diferentes públicos em fluxos objetivos, usei um sistema visual confiável para acelerar decisões e mantive pesquisa, teste e handoff acontecendo no ritmo do desenvolvimento. O resultado foi uma experiência consistente sem desacelerar uma operação que não podia esperar.

O processo foi enxuto, colaborativo e orientado a risco
  1. Leitura da emergência. Entendimento rápido de usuários, operação e informações críticas.
  2. Priorização de jornadas. Abrigo, vaga, pessoa acolhida, doação e demanda.
  3. Arquitetura da informação. Organização de dados e tarefas para diferentes perfis.
  4. Fluxos de usuário. Caminhos curtos para consulta, cadastro, edição e associação.
  5. UX/UI com padrões gov.br. Componentes familiares, consistentes e responsivos.
  6. Testes com usuários. Validação de entendimento, prioridade e ação.
  7. Handoff contínuo. Especificação e ajustes em paralelo ao desenvolvimento.